quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Reflexões sobre o uso de um colete

Este texto é dedicado a todos aqueles que representam e  honram seu brasão, que vão além do modismo e respeitam a história e os integrantes de seu grupo/clube. Originalmente publicado por Shark, do ISRA (International Star Riders Association, um grupo de pilotos de Yamaha - Dragstar, Royalstar, Star Warrior, etc). Encontrei ele alguns anos atrás no grupo de emails Clube Virago enviado pelo Bressan do El Bando Moto Grupo.




Reflexões sobre o uso de um brasão.


Caro Amigo,



A partir do momento em que você decidir ou for convidado a entrar em qualquer clube de motocicletas, e aqui vale para MCs e MGs, Associações ou qualquer outra denominação, um dos pré-requisitos é que você esteja alinhado à filosofia desta entidade. Portanto esteja atento a isso!


Em linhas gerais, esta terá valores que deverão ser respeitados por você. Mas algumas coisas serão comuns a qualquer uma: o prazer de pilotar uma motocicleta; a satisfação de conviver em grupo --- identificado pelo brasão do clube a qual você fará parte e a honra de participar de uma outra família. É preciso estar ciente de que a partir daquele momento algumas coisas mudam. A prioridade não é mais do indivíduo, mas do grupo a qual se faz parte. Não estou dizendo aqui que o grupo está acima do indivíduo, mas sim que a partir daquele momento alguns valores mudam de lugar: o que importará é que o grupo esteja junto, unido como se todos os integrantes fossem um só. Não importa o lugar, o destino, o prazer agora é outro; é o de estar junto, de fazer parte de algo em um conjunto maior; de dividir valores e usar com orgulho aquele brasão. E isto deve bastar, já que laços fortes se formaram, na mesma medida em que as experiências e a convivência aumentarem. Alguns destes laços acabarão sendo para toda a vida e outros, ainda que não se queira, de vez em quando, irão se desfazer. Mas o importante é que duraram o tempo necessário para terem se tornado inesquecíveis.

Tal qual como na vida, o que foi desfeito será preenchido por outro, sem que isso substitua o anterior. Afinal, relacionamentos humanos são insubstituíveis, porque deixam marcas indeléveis por onde passam. Mas de alguma forma isso garantirá a entidade a continuidade necessária para prevalecer, a partir do momento da criação de novos laços, ainda mais vigorosos, e de novo, enquanto durem.

Então quando você recebe um brasão, recebe com ele a imensa responsabilidade de levar toda a história daquele grupo. Leva a lembrança de cada integrante que pertenceu ou ainda pertence ao clube; leva o trabalho daqueles que lutaram para que a entidade da qual você faz parte hoje seja respeitada na comunidade. Leva um pouco da paisagem e da poeira da estrada que você e os integrantes já percorreram. Leva também a sua própria história de vida, lá no fundo dos alforges. A família, a namorada, a noiva, a esposa, os filhos, os amigos (os inimigos também, como esquecê-los) e mesmo aqueles colegas de trabalho, distantes que mal falamos, ainda que não viajem ou mesmo curtam o motociclismo, entram conosco nessa grande aventura, porque sabem e vêem os seus passos e com quem você roda diariamente ou aos fins de semana. Quando você pilota identificado, você leva uma tradição que vence o tempo.



Portanto quando chegar a sua hora, seja grato ao conquistar o direito de usar determinado brasão, pois certamente aquelas pessoas que estão lhe conferindo esta CONDECORAÇÃO, estarão lhe recebendo de braços abertoos e lhe dizendo naquele momento um sonoro: Seja bem vindo a nossa família! Você a partir daquele momento estará representando uma miríade de rostos, personalidades e quiçá, nações (caso a entidade escolhida seja internacional). E o que pedem em retribuição? Apenas a sua lealdade; o seu comprometimento com a entidade que você representa; e que você use aquele brasão com muita honra e galhardia. Acho que isso não é pedir muito. Ou é?